segunda-feira, 7 de maio de 2012
Massagem
É que quando penso em carinho, penso em massagem. Quando penso em carinho e massagem, penso em bebês. Mas também penso na minha mãe. Penso nos idosos e no quanto eles gostam que seguremos e acariciemos suas mãos. Aí penso na minha filha, que já é moça e se estica no sofá para que seus pés alcancem o meu colo e eu os fique alisando. E quantos mais?
Massagem é carinho que não tem idade. Ela dá um pouco de conta da solidão e do vazio existencial que mora em cada um de nós. É muito mais que um abraço apertado. Mais que um beijo demorado. Ou é tudo isso junto e ao mesmo tempo no maior órgão do corpo humano: a pele!
É um querer fundir-se ao outro. Mas é mais que o ato sexual. Porque não é feito com intençao apenas do prazer. O prazer é o caminho natural para quem faz e para quem recebe a massagem. O objetivo é a cura. A cura de uma dor física, mas que no fundo alcança alma.
Isso é mágico: o momento em que com as pontas dos nossos dedos tocamos na alma. Sentimos as carências, as mágoas e alegrias e e tristezas...tudo ao mesmo tempo. A pele não mente.
Aí nasce a empatia, sentir o que o outro sente. O desejo sem tamanho de querer ser Deus naquele momento e ajudar a aliviar o fardo. Claro que temos os nossos próprios fardos. Mas esses ficam esquecidos, ao menos naquele momento. Pois quando sentimos literalmente na pele, o pedido de “socorro”, não há mais como retroceder. Não dá para fingir que não ouviu, virar as costas ou desligar o celular.
Há que se beijar? Sim, muito! Há de se abraçar? Também muiiito! Fazer amor e tudo o mais que temos direito. Mas jamais devemos nos esquecer que não precisamos de uma super técnica de massagem. O corpo sabe, ele sempre sabe os caminhos a serem percorridos. Quando há a empatia, o desejo sincero de ajudar, os dedos deslizam por sobre os nervos tensionados desfazendo os nós, aquece a musculatura rígida, relaxando-a. Esquenta os pés gelados, as mãos trêmulas.
A massagem é a forma de amor mais natural e primitiva que se tem notícia. Não obedece padrões, não se limita a algumas sensações. Tudo está envolvido. Os cinco sentidos despertos e abertos, tanto para quem faz, quanto para quem recebe.
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