quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Eu sou a fome...


"Sou a fome e a sede. Aquilo que eu mordo, guardo-o comigo até morrer, e, mesmo depois da morte, têm de cortar do meu inimigo aquilo que eu mordi e enterrá-lo comigo. Posso dormir cem noites sobre o gelo, sem gelar. Sou capaz de beber um rio de sangue sem estourar."
                                                                  "O príncipe Cáspian- Crônicas de Nárnia"

Fome de?


Nem só de comida o copo sente fome.
A fome abrange uma imensidão de sensações.
O bebê chora dando o alerta.
A mãe reclama: mas está fazendo manha!
Já comeu e está limpinho!
Não. O bebê tem fome.
Algo está faltando.

E nós adultos, o que fazemos quando falta?
O abraço, o colo, a palavra?
Podemos chorar sozinhos, mas não vai resolver.
Então brigamos.
Ficamos agressivos.
Discutimos no transito, na fila do banco.
Cutucamos para ver se somos notados.
Se tem alguém que responde ao nosso pedido de socorro.

Sim, fazemos isso do pior modo.
Somos do avesso.
Gritamos quando queremos sussurrar!
Batemos quando queremos afago.
Amarramos os braços quando o que mais queremos é ficar ligados a laços de amor.
Como dizer tudo isso?
Como dizer que a solidão chegou ao limite?
Que aqui no berço algo muito maior que limpeza e comida está faltando?